sábado, 12 de dezembro de 2009

Tibet - Lhasa (ལྷ་ས), The Sacred City

Lhasa...a cidade sagrada...foram raras as vezes que tive oportunidade de sentir o que senti quando dei os primeiros passos em direcção ao exterior da estação de Lhasa...estava a 10km de entrar na cidade e tinha uma ampla visão do vale e das grandes montanhas que o rodeiam. Apesar da altitude, fazia calor e tinha um céu azul turquesa sobre mim. A aridez da paisagem entrava nos meus olhos em tons quentes e conseguia ver já sinais de mosteiros tibetanos, confortavelmente instalados nas encostas de algumas das montanhas que muralham o vale.


A presença da estação de comboios era o único sinal dos tempos modernos, o que me permitia desfrutar da sensação de ter sido transportado para tempos mais antigos. Decidi passar uns minutos a contemplar este momento único.

Da Wa (o guia* tibetano que me acompanharia para todo o lado enquanto eu estivesse no Tibete) já estava à minha espera quando saí da estação. A recepção não poderia ter sido mais calorosa. "Tashi Delek" foram as primeiras palavras tibetanas que ouvi. É a saudação tibetana. A primeira palavra significa auspicioso e a segunda significa bem. Seguiu-se o gesto de me oferecer o "katak", um lenço branco que é costume oferecer como forma de saudação e que significa a pureza da intenção. Depois de trocarmos algumas palavras cheias de entusiasmo, seguimos para Lhasa.

A caminho tivemos de atravessar o famoso rio Brahmaputra (Brahma + putra - filho do Brahma). É um dos maiores rios da Ásia (quase 3000km). Nasce numa zona situada a Sudoeste do Tibete, fluindo pelas terras a sul do extenso planalto tibetano, para só conseguir atravessar os Himalaias numa região da Índia chamada Arunachal Prandesh, que fica bem para lá do Nepal e do Butão. Já perto do final junta-se às águas sagradas do Ganges. Lhasa fica, pois, situada na margem esquerda deste incrível rio.

O caminho reservava-me ainda uma grande surpresa. O meu hotel estava localizado na parte mais antiga de Lhasa e, para lá chegar, tivemos de passar mesmo em frente ao Palácio Potala. Não sei se foi por existir menos oxigénio no ar ou se pelo êxtase do momento, mas senti-me leve como uma pena :-) quando me dei conta que estava, de facto, em frente do majestoso Palácio Potala.

Logo depois deste doce encontro tratei de me instalar rapidamente no hotel para ir desempacotar e montar todas as peças do "motão". Estava ansioso para ir fazer o primeiro reconhecimento à cidade. Dali em diante as duas rodas passaria a ser o meu único meio de locomoção e, claro, aquele que me levaria a Kathmandu!

Pela primeira vez sinto que muito fica por dizer sobre este extraordinário local...a sua história, os seus palácios e mosteiros, os seus costumes e os seus habitantes. Mas o objectivo do blog não é esse, para além de que as imagens também tem uma palavra a dizer:-)
* Actualmente, uma das imposições do governo chinês a todos os estrangeiros que circulem pelo território tibetano é que sejam acompanhados sempre por um guia


Potala e a antiga entrada de Lhasa (o pequeno monumento à esquerda que foi, até 1959, a única entrada da cidade)


A Lhasa dos dias de hoje


O rio Brahmaputra



Ruas da parte mais antiga de Lhasa


Peregrinação em redor do Mosteiro de Jokhang, o mais sagrado e o mais antingo de Lhasa








Local de queima de incenso, mesmo em frente ao Mosteiro de Jakhor
Vista de Lhasa a partir do Templo Drepung
Templo Drepung. Foi utilizado pelos Dalai Lamas até à construção do Potala. No ano de 1400 servia de residência e de escola para mais de 10 000 monges.


Uma das salas de oração no interior do Templo Deprung

Fogão solar!!

Rodas de oração no Templo Deprung

Um dos locais sagrados situados nas montanhas em redor do templo.


Buddha
Pormenor no interior da cozinha do templo

Mosteiro de Jokhang



Dhvaja (estandarte)


Mosteiro de Jokhang


O grande dia! Potala...
Esta pedra simboliza o inicio da construção do Potala, em 1645.
Pormenor das varandas viradas a Oeste da parte vermelha do Palácio
Pormenor das varandas da parte branca do Palácio. Estão viradas para um pátio interior onde ocorrem as danças dos monges pela altura da passagem para o novo ano tibetano.





Palácio de Verão

À saída do Palácio de Verão. Esta foi uma das dezenas de fotos que uma família vinda do Oeste do Tibete fez questão tirar comigo :-)

Rodas de oração e peregrinos em torno do Potala. Embora não menos que nos tempos antigos, ainda existem muitos peregrinos que percorrem "a pé" mais de um milhar de quilometros para chegar a Lhasa






Um monge
Hora de debate no Mosteiro de Sera, outro dos mais importantes na cidade.
As perguntas fazem-se cumprindo um protocolo
A antiga porta da cidade
Potala

4 comentários:

Anónimo disse...

Muito bom :)
Beijo
Luciana

Igor disse...

As fotos são excelentes. Bom resto de peregrinação, amigo.

mariafa disse...

Bravo, bravo! Estou completamente estarrecida com a teu blogue.
Lhasa deva ser uma cidade feérica! Só tenho a agradecer-te pelos conhecimentos que transmites, não só através do que escreves, mas também pelas fotos, que estão muito reveladoras, muito vivas e demonstram bem a determinação desse povo! Parabéns por tudo!

Joana Lopes disse...

Estás tão bonito na foto com as crianças :) é por estas coisas que gosto de ti! Vamos viajar!!!